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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A escolha de ter o segundo filho e a dor por ele não ter chegado. Parte II

Aquela noite foi terrível, eu não conseguia dormir, apenas chorar, eu não contei para a Eloise sobre o que havia acontecido com o bebê, mas ela percebeu, assim que deitamos ela passava sua mãozinha suave no meu rosto e olhava fixamente nos meus olhos como quem diz: calma mamãe, eu estou aqui.
Assim que amanheceu o dia para variar passei mal, eu vomitava todos os dias e já acordava enjoada, mas aquele dia sentir aquele enjoo era terrivelmente insuportável, então não pensei duas vezes fui arrumar minhas coisas para a internação eu precisava tomar uma atitude. A Eloise nunca dormiu fora de casa, eu pretendia fazer isso no decorrer da gravidez, mas não deu tempo, então chegou o dia em que teríamos que enfrentar a situação sem a devida preparação, a unica coisa que me restou foi conversar com ela, a chamei e disse: filha, a mamãe vai ao médico e vou demorar para voltar, a noite você vai precisar dormir com a vovó talvez o papai esteja aqui para dormir com você, mas logo logo a mamãe voltará,ela chorou e disse: não mamãe, só mamãe (só quero a mamãe), então não preciso dizer que desabei a chorar. Mas graças a Deus no momento de irmos para o hospital ela nos abraçou bem forte e logo os titios conseguiram a distrair e assim seguimos eu e o meu marido, sem  trocarmos palavras, novamente não havia palavras. Eu chorei o caminho todo, eu não queria estar vivendo aquilo, eu precisava ir para o hospital para resolver a situação, então só me restava seguir enfrente.
Fiquei internada na sala de pré-parto, foi uma tortura, pois da minha cama eu enxergava o corredor e via as mulheres seguindo para o centro cirúrgico para terem seus bebês. Fui internada as 13:30 e só as 15:00 que começaram a me dar a medicação que iria forçar a expulsão do feto, a enfermeira me disse: olha com essa medicação você sentirá dor e contrações, será normal, quando a dor for insuportável você pode nos chamar. Eu pensei: meu Deus, dor insuportável? Será possível que ainda exista alguma dor pior do que a dor que estou sentido? A dor de saber que você já perdeu um filho? Impossível.
Logo depois deixaram meu marido entrar, eu ainda não estava sentindo as contrações, apenas aquela tristeza sem fim, eu chorava o tempo todo, e meu marido segurava minha mão. Mais tarde minha mãe foi me ver, quando ela entrou no quarto e me abraçou eu finalmente tinha encontrado um abraço salvador, o abraço da minha mãe sempre me aliviava, mas dessa vez nem o abraço dela tirava aquela dor, então eu disse: mãe eu não quero passar por isso, e ela apenas chorou e me abraçou e me pediu para ser forte. Logo que ela saiu, meu pai e em seguida minha irmã entraram, era possível apenas 1 pessoa por vez eles levaram videos da Eloise para eu me distrair, e justamente naquele dia a cama dela havia chegado, então eles filmaram a reação dela com a caminha foi um barato, só aumentou a minha saudade, e queria que eles me levassem dali, meu pai orou por mim e logo depois que eles foram embora eu comecei a sentir cólicas e contrações, era exatamente 18:50 hs. Eu sabia que o meu marido só poderia ficar comigo até as 21:00 hs. Eu queria muito que tudo o que tivesse que acontecer, acontecesse até esse horário, não queria passar sozinha. Segui até as 21:00 apenas com as contrações a enfermeira me examinou e disse que o colo do útero ainda estava fechado e então me deu outra medicação e chamou meu médico. Eu pedi que meu marido ficasse mais um pouco e eles deixaram ele ficar até as 22:00 hs.
Quando foi umas 21:15 hs senti que alguma coisa havia saído, meu médico chegou e me examinou, mas era apenas a bolsa que havia rompido, um ótimo sina disse ele. Continuei com dor e as contrações iam aumentando, como estava com muita ânsia me aplicaram uma injeção de plasil. Então deu 22:00 hs e meu marido não podia mais ficar, ele me beijou e eu pedi para ele cuidar bem da Eloise. Sabia que agora eu teria que continuar sozinha, era eu e Deus. Meu médico também foi embora e prescreveu que a meia noite as enfermeiras me dessem uma medicação no soro para acelerar as contrações. Graças ao efeito do plasil eu seguia um pouco dormindo e um pouco acordada com muita dor, mas era ainda uma dor suportável, nada seria pior do que a dor eu já estava sentindo.
Quando faltava 1 minuto para meia noite e acordei e estava com muita dor, troquei umas palavras com uma moça que estava na cama ao lado da minha e me levantei para ir até o banheiro, antes que as enfermeiras chegassem para aplicar o soro. Assim que cheguei no banheiro para minha surpresa eu comecei a sangrar muitooooooo, muito mesmo, comecei a perder os sentidos e então só lembrei de abrir a porta e pedir para chamar a enfermeira, sentei no vaso já desfalecida e ouvi um barulho, eu tive a certeza de que era o feto saindo, não doeu, e graças a Deus eu não vi, eu havia pedido a Deus que não permitisse que eu visse, pois saberia que se eu visse iria guardar pra sempre aquela imagem na minha memória e eu não queria. Logo as enfermeiras chegaram me levaram pra cama e chamaram meu médico, eu suava muito e já não conseguia enxergar direito, estava com muita dor, mas não era uma dor insuportável, não era maior do que a dor que eu ja havia sentido quando soube que tinha perdido meu bebê. Logo meu médico chegou e já me levou para sala de cirurgia, eu temia fazer uma curetagem mas meu médico havia me garantido que era melhor, era a garantia que meu útero estava limpo e livre de infecções. Eu segui para a sala da cirurgia com muita, mas muita dor, eu não falava, não gritava, eu apenas chorava, era um choro quieto e só meu, logo me deram um medicamento que eu apaguei, depois de 1 hora acordei e ouvi meu médico dizendo: pronto, acabou, ocorreu tudo bem, amanhã cedo te darei alta. Eu ainda estava meio tonta sem saber o que estava acontecendo e com muita dor, me levaram para o quarto e eu dormi, isso era umas 3:00 hs da madrugada. Pontualmente as 7:00 estava lá meu médico me esperando acordar para verificar se e estava bem e me dar alta, eu não sentia mais dor, e então eles deixaram meu marido entrar para me ver, tomei um café e tive alta.
Seguimos para a casa, verbalizei tudo o que havia ocorrido para meu marido, mas eu já não chorava mais, parecia que havia se esgotado toda água do meu corpo. Eu estava sem cor, sem dor, sem vontade de nada. Cheguei em casa e me deitei, na minha cama estava a Elô dormindo como um anjinho, ela havia dormido com o papai e super bem não deu trabalho. Dormi bem agarradinha com ela, algumas horas depois acordei com uma voz doce: Mamãeeeeeeeee!!!!!!! Ela me abraçou e eu me senti acolhida e amada.
Os dias tem sido difíceis, tudo me faz lembrar o bebê que perdi, parece que cada canto da casa já tinha um espaço pra ele, as vezes eu  me distraio e conseguido conversar sobre outras coisas, mas de repente me pego chorando, impossível esquecer tudo o que aconteceu, pois eu sai do hospital sem um bebê nos braços para me fazer esquecer a dor. Mas sigo enfrente, pois tenho uma filha que precisa e depende muito de mim e por ela e pela força de Deus e apoio da minha família eu estou de pé. Eu sei que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, eu sei que Ele está no controle de todas as coisas, Deus sabe o que cada um de nós podemos suportar. Confio em ti Jesus, e sei que o Senhor tem mais para minha vida.

A escolha de ter o segundo filho e a dor por ele não ter chegado. Parte I

Na verdade este post era para contar sobre a decisão de ter um segundo filho, porém tivemos algumas alterações no caminho, então resolvi fazer um único post.

Quando eu e meu marido decidimos que era hora de ter outro filho, não pensamos apenas em nós, mas sim na Eloise, pois hoje não pensamos como um casal, agora somos uma família e todos precisam estar envolvidos nas decisões. Já ouvi muitos casais dizerem que não pensam em ter mais filhos, e nem querem saber se o filho único quer ser filho único, para esses pais filhos dão muitos gastos e pra que dar irmãos se hoje em dia as crianças vão desde bebês para as escolas e tem o convívio dos amiguinhos. Sinto pena de quem pensa dessa forma e acha que colegas de escolas substituem irmãos. Colegas de escola passam, irmãos são para a vida toda. É com os irmãos que temos as primeiras lições da vida.

Em nossa família a Eloise é a unica criança, unica filha, neta, sobrinha e bisneta, primos ainda estão num futuro bem distante já que tanto minha irmã quanto meu cunhado ainda não pensam em casar, estão focados nos estudos, esse também foi um dos motivos para encomendar um irmãozinho, não acho saudável para a Elô ser o centro das atenções, por mais que a gente se esforce para isso não acontecer, ela é sempre muito mimada onde ela chega.

Assim que confirmei a gravidez no dia 16 de Dezembro eu já estava com 8 semanas, foi uma alegria só e um marco para tomada de muitas decisões, entre elas meu pedido de demissão do emprego para a preparação da Eloise com a chegada do novo bebê. Essa preparação envolveu: desfralde, troca do berço pela cama, algumas mudanças no quartinho e etc...A família toda estava engajada nas preparações para receber o novo frutinho.

No último dia 16, ou seja, um mês depois na notícia da gravidez, tinha ultrassom agendado para o exame de Translucência nucal e descoberta do sexo, já estava com 12 semanas, naquele dia tinha programado de ir com a Elô e passar pegar o papai no serviço, mas por algum motivo ainda desconhecido Eloise dormiu bem na hora da mamãe sair, então fomos apenas eu e o papai no médico. Estávamos ansiosos pelo ultrassom, logo que começou o exame e o médico mediu o bebê, notei que ele estava do mesmo tamanho que o ultimo ultrassom e achei estranho, já me deu um frio na barriga, então logo procurei o coraçãozinho dele, e não encontrei, o médico não precisava falar mais nada, eu já tinha entendido tudo, não tive coragem de olhar para meu marido, mais tarde ele me contou que sentiu a mesma coisa. Então o médico começou a fazer algumas perguntas e constatou o que eu não queria ouvir: seu organismo interrompeu a gestação, devido a uma má formação do feto, irei pedir mais um ultrassom com outro médico para confirmarmos. Eu sai daquele consultório em estado de choque, eu não sabia se continuava andando ou se sentava pra chorar, eu poderia gritar também de tanta dor, eu não estava entendo nada, na verdade queria acordar daquele pesadelo, mas continuei seguindo em direção ao carro, sem dar uma palavra com meu marido, não precisávamos trocar palavras, pois não existiam palavras naquele momento. Assim que entramos no carro eu desabei a chorar e pedi para ele me levar ao PS para fazer outro ultrassom, eu não poderia voltar para casa sem aquela confirmação, muito embora eu já soubesse da verdade. Assim que chegamos ao PS meu marido ainda não havia derrubado uma lágrima, ele apenas me abraçava e tentava me acalmar. Em nenhum momento eu perguntei o porque aquilo estava acontecendo, e nem questionei a Deus, eu simplesmente chorava, não saia nenhuma palavra. Assim que a médica nos chamou e fez o ultrassom confirmou o diagnóstico do meu médico que eu havia sofrido um aborto, logo em seguida ela me pediu que seguíssemos para a sala de pré-parto, para entrarem em contato com o meu médico. Nesse momento nós dois não sabíamos o que fazer, se ligávamos para alguém, pois ainda não tínhamos avisado nossos pais, não queríamos falar por telefone, então seguimos enfrente, porém como coração de mãe nunca falha, minha mãe sentiu que precisava falar comigo e me ligou, eu não tive coragem de atender, então meu marido atendeu e quando ele verbalizou o que havia acontecido, ele chorava como uma criança. A enfermeira nos chamou e entrou em contato com o meu médico, ele me deu 3 opções: esperar meu corpo expulsar o feto, ir para casa e tomar remédios para expulsar o feto, ficar internada para tomar a medicação e fazer os procedimentos que fossem necessários. Óbvio que escolhi voltar para a casa naquele momento para ficar com minha família e voltar no dia seguinte para me internar e fazer os procedimentos necessários no hospital sob supervisão médica. Eu estava morrendo de saudades da Eloise enquanto esperávamos o ultrassom, tinha várias crianças na mesma idade dela brincando na sala de espera e que dor eu sentia pela perda desse bebê e que saudade sem tamanho da minha pequena, tudo que eu precisava era abraça-la. Voltamos para casa, agora para enfrentar a família e verbalizar tudo o que havia acontecido, era como reviver tudo outra vez, assim como estou vivendo enquanto escrevo.