Na verdade este post era para contar sobre a decisão de ter um segundo filho, porém tivemos algumas alterações no caminho, então resolvi fazer um único post.
Quando eu e meu marido decidimos que era hora de ter outro filho, não pensamos apenas em nós, mas sim na Eloise, pois hoje não pensamos como um casal, agora somos uma família e todos precisam estar envolvidos nas decisões. Já ouvi muitos casais dizerem que não pensam em ter mais filhos, e nem querem saber se o filho único quer ser filho único, para esses pais filhos dão muitos gastos e pra que dar irmãos se hoje em dia as crianças vão desde bebês para as escolas e tem o convívio dos amiguinhos. Sinto pena de quem pensa dessa forma e acha que colegas de escolas substituem irmãos. Colegas de escola passam, irmãos são para a vida toda. É com os irmãos que temos as primeiras lições da vida.
Em nossa família a Eloise é a unica criança, unica filha, neta, sobrinha e bisneta, primos ainda estão num futuro bem distante já que tanto minha irmã quanto meu cunhado ainda não pensam em casar, estão focados nos estudos, esse também foi um dos motivos para encomendar um irmãozinho, não acho saudável para a Elô ser o centro das atenções, por mais que a gente se esforce para isso não acontecer, ela é sempre muito mimada onde ela chega.
Assim que confirmei a gravidez no dia 16 de Dezembro eu já estava com 8 semanas, foi uma alegria só e um marco para tomada de muitas decisões, entre elas meu pedido de demissão do emprego para a preparação da Eloise com a chegada do novo bebê. Essa preparação envolveu: desfralde, troca do berço pela cama, algumas mudanças no quartinho e etc...A família toda estava engajada nas preparações para receber o novo frutinho.
No último dia 16, ou seja, um mês depois na notícia da gravidez, tinha ultrassom agendado para o exame de Translucência nucal e descoberta do sexo, já estava com 12 semanas, naquele dia tinha programado de ir com a Elô e passar pegar o papai no serviço, mas por algum motivo ainda desconhecido Eloise dormiu bem na hora da mamãe sair, então fomos apenas eu e o papai no médico. Estávamos ansiosos pelo ultrassom, logo que começou o exame e o médico mediu o bebê, notei que ele estava do mesmo tamanho que o ultimo ultrassom e achei estranho, já me deu um frio na barriga, então logo procurei o coraçãozinho dele, e não encontrei, o médico não precisava falar mais nada, eu já tinha entendido tudo, não tive coragem de olhar para meu marido, mais tarde ele me contou que sentiu a mesma coisa. Então o médico começou a fazer algumas perguntas e constatou o que eu não queria ouvir: seu organismo interrompeu a gestação, devido a uma má formação do feto, irei pedir mais um ultrassom com outro médico para confirmarmos. Eu sai daquele consultório em estado de choque, eu não sabia se continuava andando ou se sentava pra chorar, eu poderia gritar também de tanta dor, eu não estava entendo nada, na verdade queria acordar daquele pesadelo, mas continuei seguindo em direção ao carro, sem dar uma palavra com meu marido, não precisávamos trocar palavras, pois não existiam palavras naquele momento. Assim que entramos no carro eu desabei a chorar e pedi para ele me levar ao PS para fazer outro ultrassom, eu não poderia voltar para casa sem aquela confirmação, muito embora eu já soubesse da verdade. Assim que chegamos ao PS meu marido ainda não havia derrubado uma lágrima, ele apenas me abraçava e tentava me acalmar. Em nenhum momento eu perguntei o porque aquilo estava acontecendo, e nem questionei a Deus, eu simplesmente chorava, não saia nenhuma palavra. Assim que a médica nos chamou e fez o ultrassom confirmou o diagnóstico do meu médico que eu havia sofrido um aborto, logo em seguida ela me pediu que seguíssemos para a sala de pré-parto, para entrarem em contato com o meu médico. Nesse momento nós dois não sabíamos o que fazer, se ligávamos para alguém, pois ainda não tínhamos avisado nossos pais, não queríamos falar por telefone, então seguimos enfrente, porém como coração de mãe nunca falha, minha mãe sentiu que precisava falar comigo e me ligou, eu não tive coragem de atender, então meu marido atendeu e quando ele verbalizou o que havia acontecido, ele chorava como uma criança. A enfermeira nos chamou e entrou em contato com o meu médico, ele me deu 3 opções: esperar meu corpo expulsar o feto, ir para casa e tomar remédios para expulsar o feto, ficar internada para tomar a medicação e fazer os procedimentos que fossem necessários. Óbvio que escolhi voltar para a casa naquele momento para ficar com minha família e voltar no dia seguinte para me internar e fazer os procedimentos necessários no hospital sob supervisão médica. Eu estava morrendo de saudades da Eloise enquanto esperávamos o ultrassom, tinha várias crianças na mesma idade dela brincando na sala de espera e que dor eu sentia pela perda desse bebê e que saudade sem tamanho da minha pequena, tudo que eu precisava era abraça-la. Voltamos para casa, agora para enfrentar a família e verbalizar tudo o que havia acontecido, era como reviver tudo outra vez, assim como estou vivendo enquanto escrevo.

2 comentários:
Querida, não posso dizer que sei o que você sentiu e sente, mas imagino sua dor....
Q tristeza. Q Deus conforte seu coração e o coração da sua familia.
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