Este post dedico as mães recem-nascidas.
Todos falam sobre o amor, a emoção, alegria de receber uma criança em seus braços; do momento do parto, da alegria e satisfação de amamentar, e todos outros sentimentos mais lindos do mundo. Não duvido que algumas mães realmente só sintam satisfação e alegria ao parir, ao amamentar e diante dos primeiros momentos com a criança, porém também existe uma grande parte que não sente tudo isso e se cala de vergonha, por se achar só, mas saiba que você não está só e isso é bem mais comum do que você imagina.
Vou contar para vocês o que aconteceu comigo.
Minha gravidez foi esperada, tive uma gestação agitada pela reforma na minha casa, mas no geral foi tudo bem, preparei o todo o quartinho, fiz enxoval, Eloise foi muito esperada. Já tinha em mente que queria uma cesariana, meu pai já trabalhou em hospital e sempre me falava de como as mulheres sofriam em partos normais, que muitas crianças passavam da hora de nascer, enfim, como eu tinha medo de acontecer isso, de passar da hora de nascer, achei melhor fazer cesária.
No dia 28/12/09 segunda-feira, em mais um retorno semanal ao GO, ele me examinou e disse: ela está prontinha para nascer. Eu estava de 39 semanas, segundo os calculos do médico. Ele já sabendo da minha preferencia por cesaria me perguntou: Quer agendar a cesária para hoje? E eu disse que sim (lembra do meu medo de passar da hora??então, você acha que sabendo que ela estava pronta eu iria esperar mais?) Por fim naquele dia não tinha vaga no hospital e marcamos para o primeiro horario do dia 29/12/09.
Eu e o maridão, voltamos para casa felizes, ansiosos, e claro corremos para a casa dos avós para contar a novidade, ligamos para os mais íntimos.
Naquela segunda eu e o papai ainda fizemos uma "faxina" em casa, o papai de tão nervoso que estava queria limpar tudo, limpou até o portão, trocou uma lâmpadas, eram 23:00 ele ainda estava mexendo nas coisas, claro de ansiedade, e eu querendo dormir, eu estava bem tranquila. Dormi super bem e as 5:30 hs levantei para irmos a maternidade, deveríamos chegar as 6:00 hs.
A caminho da maternidade, comecei a sentir contrações fortes, e continuamos seguindo. O sentimento era de medo, e insegurança, estava nervosa pois as dores estavam aumentando, e eu nunca havia passado por uma cirurgia, então estava bastante nervosa.
Entramos no centro cirurgico, e adivinhem qual era o assunto?? Revellion. O anestesia super simpático, conversou bastante comigo, e logo em seguida a agulhada, adivinhem?? Vômito, muito vômito, ele se assustou, pediu que eu virasse minha cabeça, e assim foi durante todo o parto, eu passei muitooooo mal, não parava de vomitar. Maridinho filmou o parto, claro que não filmou eu passando mal.
Bom, trouxeram ela para eu a ver, senti emoção, eu estava feliz em ver seu rostinho e principalmente com a notícia do pediatra que tudo estava bem com ela. Mas eu não consegui chorar de amores, eu estava passando muito mal, e eu ainda não sabia o pior, tive reação alérgica a morfina, eu estava super hiper mega ultra inchada, fiquei umas 3 horas na sala de observação, não me lembro de nada, apesar a hora que acordei pedia para vê-la, estava preocupada, eu não tinha noção do tempo que eu estava ali, mas eu sabia que o certo era eu estar amamentando minha pequena.
Enfim, fui para o quarto e logo a trouxeram, ela estava faminta, tadinha, e pegou certinho o bico do peito, então eu senti um incomodo, mas tudo bem, vamos seguindo. Eu estava muito cansada e muito inchada, com um certo desconforto, não conseguia estar emocionado e nem vibrando e chorando de alegria.
A primeira noite foi terrível, ela chorava muito, não saia do peito, e eu chamava as enfermeiras e elas não vinham, tinha que levantar para pega-la, sentia muita dor tanto no corte, quanto no seio, percebi que ele estava querendo rachar...foi uma noite longa, e em claro.
Na segunda noite eu chorei, mas chorei de tristeza em saber que ficaria mais um dia ali, sem ajuda, sozinha para cuidar dela. Foi muito dificil, ao meu lado tinham mais duas mães que também fizeram cesária e nós não podíamos nos ajudar, estavamos todas arrebentadas.
Eu ainda não tinha sentido nenhum prazer em amamentar, ainda não tinha chorado de emoção nem de alegria (alias eu ainda nunca havia chorado na minha vida de alegria, não sabia o que era isso), mas também eu não me culpava por isso, não dava tempo de sentir culpa, ou de me cobrar alguma coisa, ou até mesmo cobrar da Eloise, mesmo tendo passado os ultimos 9 meses com ela na minha barriga e achar que já eramos íntimas, de fato éramos, mas ainda não tinhamos um laço que eu sei que temos hoje. Eu ainda não tinha dimensão desse amor, desse laço, eu não tinha a menor ideia de nada, a unica coisa que eu queria era ir para minha casa.
E em casa depois de alguns dias, quando a dor dos pontos já havia passado, quando já não doia mais para amamentar, pude sentir a emoção, o amor incondicional e o quanto aquela pequena vidinha havia transformado minha vida e seria para sempre, aquele amor seria eterno e o maior de todos.
A Eloise me ensinou a chorar de alegria e emoção por um simples sorriso.
Amamentar a Eloise foi a melhor coisa que eu fiz, ela largou sozinha do peito, eu sofri horrores, chorava muito, porque queria continuar amamentando, mas hoje vejo que foi bom ela ter largado.
É assim até hoje e cada dia melhor, a cada dia que passou fui amadurecendo, fomos nos conhecendo e hoje conheço esse amor incondicional e surreal, sei reconhecer meu instinto materno e confio nele.
Isso é maternidade real!
T AMO PRINCESA!

3 comentários:
BUÁÁÁÁÁÁ´, BUÁÁÁÁÁÁÁ!!! Eu tô aqui chorando!!! Confesso que sou muito humor negro, e tive que rir ao imaginar a cena, você sendo anestesiada e vomitando!!! Não deve ter sido o melhor momento da sua vida, mas veio a princesa Elo que é linda!!! Você é mãe presente, mãe preocupada, mãe zelosa! Você é super mãe mesmo amiga!!
Posso te falar uma coisa, segredo, ninguém vai saber: eu também não cherei quando vi a Sophia ... mas não foi porque estava passando mal nem por reação da anestesia ... foi porque ela era muito feia! Eu não queria acreditar que ela coisinha feia era minha filha! Isso é triste! E posso garantir, não era depressão não ...
Beijos e sorria muuuito hoje!!
Má
www.monmaternite.blogspot.com
Muito importante falar sobre isso. Comigo não foi assim e o amor veio de cara, logo que o vi a primeira vez. Mas muitas mulheres passam por isso que vc passou... Ainda bem que logo o amor aparece e de tão grande que é tudo vale a pena!! Acho que isso é uma espécie de depressão pôs-parto mas bem leve. Como vc passou tão mal assim, amiga! Que sufoco! Beijos
Amei o post!!
bjo Jana
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